Da história de Minde à...
A história de Minde perde-se nos tempos. É anterior à formação de Portugal como Nação. Por Minde passaram os Romanos, quando o núcleo primitivo constituía um Castro Celtibérico de guerreiros.
Não sendo como certa a origem da palavra Minde, uma das hipóteses admite que tem origem do latim, a partir da expressão “Villa Menendy”, supondo-se que existiu nesta zona um indivíduo de nome Menendus, que deu o nome ao lugar.
Certamente que a povoação cresce, inicialmente, apenas dos recursos montanhosos. Foi com um “pobre gado de pobre pasto” e a tenacidade das suas gentes que surgiram as mantas. Com elas, cresce Minde em riqueza e em população, durante os séculos XV e XVI. Cresce tanto que, simplesmente, o gado não dá a lã suficiente para que as mulheres possam trabalhar todo o ano a fiar e a fazer as mantas. Os homens começam, então, a percorrer o país para comprar a lã.
Fiandeira Vendedor de mantas
No século XVIII, a riqueza criada permitiu a institucionalização da Feira de Santa Ana, na sequência da que ocorria no terreno do convento dos Frades Arrábicos, instalados em Minde em 1773.
Se a feira de Santa Ana, em Minde, foi durante muito tempo a expressão da sua riqueza, foram também as feiras, por esse país fora, em que os mindericos vendiam as suas mantas, que fizeram criar a necessidade de, através de um linguajar muito próprio, se entenderem uns com os outros, sem que os outros os entendessem. Assim, surge a “Piação dos Charales do Ninhou”, também conhecida por “Minderico” que, actualmente, se pretende preservar e revitalizar no sentido de a mesma constituir, a longo prazo, a 3ª língua oficial de Portugal.
Referir a história de Minde implica, também, referir as localidades do Covão do Coelho e Vale Alto que integram a freguesia e a localidade da Serra de Santo António que, tendo sido também um lugar da freguesia, o deixou de ser em 1918. Sobre esta última localidade, a mais antiga documentação escrita refere que em 1560 habitava, a então denominada “Pia Carneira “, um casal que aí mandou construir uma Capela para agradecer o refúgio ali encontrado quando andava fugido à justiça régia.
Enquanto em Minde e também no Covão do Coelho e até Vale Alto se teciam mantas, em Serra de Santo António teciam-se os alforges, em teares muito semelhantes aos das mantas.
Em 1963, foi Minde elevada à categoria de vila, vila esta que, acompanhando o progresso industrial, já não conta apenas com as mantas, mas também com as malhas, a partir da década de 50.
Com a entrada de Portugal na U.E., a globalização e as sucessivas crises económicas que o país tem atravessado, em que, a crise surgida em 2008, a nível mundial, está a constituir o golpe mais rude, a indústria têxtil tem vindo a perder significativamente a sua força. Mas se esta terra, no dizer de Hermano de Saraiva, foi feita com “os pés dos homens, com as mãos das mulheres e com o coração de todos”, é
com certeza o coração de todos, a alma deste povo que, a par da luta pela vida, lhe incutiu o gosto pela cultura aliado a um espírito associativo e empreendedor. Neste sentido, a vila dispõe de uma banda filarmónica (Sociedade Musical Mindense), de um Conservatório de Música (Conservatório Jaime Chavinha), de um grupo de teatro “ Boca de Cena” (Teatro Rogério Venâncio), de um grupo desportivo (Vitória Clube Mindense), de um Museu da Aguarela (Centro de Artes e Ofícios Roque Gameiro), de um corpo de bombeiros (Bombeiros Voluntários de Minde), de um Jardim de Infância e Lar de 3º Idade (Centro de Bem Estar Social de Minde), para citar, apenas, as associações mais significativas em Minde.
No Covão do Coelho e Vale Alto é de salientar, pelo seu dinamismo e impacto, o Rancho Folclórico do Covão do Coelho e a Associação Sócio Cultural do Vale Alto, respectivamente.
Na Serra de S. António o associativismo centra-se no Grupo Recreativo Unidos da Serra, fundado em 1948 e na Associação Cultural e Ambiental Covaltas.
…à história do Agrupamento
A criação do Agrupamento de Escolas de Minde, a 30/03/2001,tem subjacente a história e evolução do ensino na freguesia de Minde.
A acompanhar o crescimento económico e populacional da freguesia, nas décadas de 60 e 70, o número de escolas foi também aumentando. De duas escolas, com 107 alunos em 1955, passou-se, em 1964, a dispor de mais um edifício, “Plano dos Centenários”, para uma população de 194 alunos. Nas restantes localidades da freguesia, Covão do Coelho e Vale Alto, existiam respectivamente 2 Escolas e 1 Posto Escolar.
A instituição da escolaridade obrigatória, em 1964, até à 6ª classe, permitiu que em 1965 fosse criado, em Minde, um Posto de Telescola que, de particular, passou a oficial em 1974, com a designação de Ciclo Preparatório TV, servindo também as povoações do Covão do Coelho, Vale Alto e Casais Robustos.
Entretanto, na década de 70, com a continuação do aumento da população em Minde e a degradação dos equipamentos existentes, fez-se sentir a necessidade de novas instalações. Um novo edifício, desta vez, do tipo P3, construído no Felgar, foi uma realidade em 1984. A sua remodelação em 2001, permitiu albergar todo o 1º Ciclo.
Em 1987, dando-se início a um sonho, abriu o Jardim de Infância nas instalações da antiga escola primária Adães Bermudes, destinado a 50 crianças dos três aos seis anos. Em 2000, já pertença da rede pública do Ministério da Educação, o Jardim de Infância de Minde transferiu-se para a Escola “Plano dos Centenários”, onde actualmente ainda funciona. Igualmente foram criados Jardins de Infância nas localidades de Covão do Coelho, Casais Robustos e Serra de S. António.
Também a partir de 1987, face ao encerramento da Telescola, começa a impor-se a ideia de uma Escola Preparatória, tanto mais que a população escolar se dispersava pelas escolas de Alcanena, Mira de Aire, Torres Novas e Colégios de Fátima.
Após grande polémica, foi finalmente construída a Escola nos terrenos adjacentes à P3, entrando em funcionamento em Setembro de 1993. Passou a designar-se por C+ S de Minde.
Com a publicação do D.R 12/2000, no sentido de garantir a coerência e continuidade entre os diferentes níveis de ensino e superar situações de isolamento das escolas e de exclusão social, fixam-se os requisitos da constituição dos Agrupamentos de Escolas. Em Minde, como referido anteriormente, o Agrupamento é uma realidade em 2001 e passa a integrar os Jardins de Infância de Casais Robustos, Covão do Coelho, Minde e Serra de S. António, as Escolas do 1ºCiclo de Casais Robustos, Covão do Coelho, Minde, Vale Alto e Serra de S. António e a Escola Básica dos 2º e 3º Ciclos de Minde (antiga C+ S), constituindo esta última a Escola Sede do Agrupamento.
A par da crescente diminuição do número de alunos, desde a década de 90, e das novas políticas educativas que tendem a concentrar todos os ciclos num mesmo local, aguarda-se com expectativa, novamente envolta em polémica, a construção de um Centro Escolar que, portador de melhores condições, contribua para melhorar a qualidade do ensino aos nossos alunos.
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